20 set, 2008
[The Drunken Orc] Viva ao orgulho gamer!
Postado por Magaiver em Polêmica| The Drunken Orc
Essa semana foi meio corrida. Segunda-feira, tive que sair da minha utopia e despencar no que chamam de “mundo real”, voltar a trabalhar, a estudar, etc. Mas com um sentido diferente: Eu me sentia renovado. E lembrava que era provavelmente essa semana que ia chegar a minha box da edição galáctica do Spore, o que me deixava eufórico, pois pensei que nunca mais ia ver ela.
Mas esse era apenas o começo dos meus problemas.
Fiquei três dias agoniado esperando chegar a minha box. Eu ia para o correio ver se havia chegado na minha caixa postal, mas ela não estava lá. Na quarta, sai mais cedo de casa para ir ao trabalho, para ver se a box já estava no meu escaninho lá nos Correios. Tudo isso para lembrar que os Correios abriam as 9h, o mesmo horário que eu entro no trabalho. Tudo bem, as 15h, quando eu sair, eu passo denovo lá e vejo se chegou. Mas a agonia ia aumentando. Lá pelas 10h, uma pessoa me liga no celular. Era um entregador. Dizia que estava com uma “encomenda do Submarino” e perguntava onde era a minha casa. Como não havia ninguém lá, pedi para vir entregar no meu trabalho, que era do outro lado da cidade. Ele disse que não podia, pois ele havia feito esse trajeto ontem, mas quando acabasse de fazer as entregas, ele passava lá e me entregava. Tudo bem, vamos esperar.
Mas a agonia ia aumentando. Ela começou a ser tão insuportável que eu comecei a traçar planos para eu pegar a minha box logo. O que fazer sabendo que algo que você espera a 15 dias ansioso estava passeando pela cidade numa van, só esperando ser entregue? Pensei em algumas alternativas:
- Ligar denovo para o entregador e oferecer uma “gorjeta” para ele ir entregar naquela hora. Analisando, não ia dar certo, pois eu não tinha nada na carteira.
- Na hora que minha chefe sair para o almoço (eu não tenho horário de almoço, trabalho 6h diretão), eu ligava para o cara e via onde ele tava, e ia com o carro buscar. Mas isso era perigoso, já que se minha chefe descobrisse eu ia para o olho da rua.
Não é que uns 10 minutos depois o entregador me ligou perguntando se eu ainda estava no trabalho, e que ia entregar em uns 5 minutos no máximo?? Eu quase dei um pulo na cadeira. Quando eu vejo o entregador entrando e trazendo a minha encomenda, não pude conter o sorriso, que ia de orelha a orelha. O entregador só deu uma risadinha - acho que deve ser normal para ele ver pessoas nessa situação - e pediu para eu assinar um papel e me entregou o “tesouro de 15 dias”.
Toda essa história pode ser inútil, mas tive que preparar o caminho para o ponto principal do tema, que vem logo em seguida.
Depois de analisar a box, deixei ela sobre a mesa e continuei trabalhando. A Adriana, que trabalha comigo, passou do meu lado, olhou aquela box, deu um sorriso e falou: “Nossa, é um DVD?”
Eu tenho o costume de pensar em mil coisas em 1 segundo. Posso processar tanta informação em tão pouco tempo que as vezes eu não entendo como que funciona. Tudo isso que eu pensei não deve ter durado mais que meio segundo:
Se eu falar que é um jogo, ela vai achar ruim. Bom… Mas eu aprendi uma coisa lá na WCG. Não estou sozinho nesse mundo de games, então não tem o porquê eu ficar me escondendo, falando que eu sou uma “pessoa normal”.
Então eu falei: “Não, é um jogo”.
Todo aquele sorrisinho se extinguiu e acabou virando uma cara de nojo. Ela me deu as costas e continuou o seu caminho. Vocês não imaginam a raiva que eu fiquei. Fiquei com vontade de tacar um grampeador na nuca dela, mas isso só ia aumentar os meus problemas.
Adriana, aqui fica registrado o meu desprezo por você. Não pela sua pessoa, mas pela sua atitude.
Chegando em casa, eu coloquei encima da mesa a box e fui tomar banho. Quando voltei a minha mãe me perguntou o que era aquilo.
PAUSA PARA UMA EXPLICAÇÃO: Como alguns sabem, eu voltei a morar com a minha família. Morei 4 anos sozinho, em Maringá, mas como desisti do curso, voltei para Paranavaí e estou fazendo um outro curso aqui. Então, quando eu me formar, volto correndo pra Maringá, ou pra Curitiba. Não sou mais uns daqueles que não querem desgrudar da saia da minha progenitora, ok?
Eu falei que era um jogo. Ela perguntou quanto que eu havia pago. Então falei que tinha pago 140 reais. Ela ficou possessa. Onde já se viu gastar 140 reais com um jogo?? Se fosse gastar com cerveja, messalinas, maconha, afins, até pode ser, mas gastar isso com jogo??? (Não, ela não disse isso).
Como citado acima: Eu não bebo e não fumo. O dinheiro MEU que eu reservo para a diversão, eu gasto com jogos. Ainda existe muita discriminação àquelas pessoas que usufruem das suas horas vagas para entretenimento eletrônico. Jogar é pior que voltar pra casa as 5h da manhã bebâdo? Você está cometendo um pecado mortal cada vez que se aproxima de um controle ou teclado??
E vocês, já sofreram algum tipo de preconceito por jogarem??


